Desisti, afinal, de viver por quatro pessoas. Mas estava com medo de pedir companhia; esse medo se confundiu com o medo de ir sozinha. Encostei o ombro no batente e fitei a santa pendurada impiedosamente na parede. Coisa meio artesanal, meio industrial, de olhos díspares e cabelo claro.
De repente, parei de sentir dor. Tanto fez. Não conseguia sentir a raiva da casa, nem seu desespero para ficar completamente vazia. Antes vazia de todo que quase morta; a eutanásia do imóvel deixava evidente como todos ali tínhamos já tido suficiente dose de agonia.
Parecia que minha indiferença o atraíra. A porta da entrada rangeu e eu fiquei parada, como se não houvesse notado sua presença.
Meu irmão carregava uma mala listrada. Dois papéis finos nas mãos.
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