Cinco andares mambembes deixavam evidente que Belo Horizonte perguntava aos dois irmãos se eles estariam tão certos assim de suas aventuras. Ítalo agradeceu a si mesmo por ter trazido menos do mínimo.
-Quanto? - um olhar suado de voz sedenta voltou-se bruscamente para Júlia logo no primeiro lance de escadas; às suas vistas, ela era o ser mais limpo que ele via em dias.
Ítalo, reprimindo um palavrão que certamente sairia-se péssimo cartão de visitas, empurrou o bêbado. A música alta no segundo andar não era uma dica apetitosa para os dois... Um sorriso convidativo na porta do 201 o causou um arrepio misturado entre ensaio de tesão e asco.
Sim, eles tinham se mudado para um puteiro.
Ele percebeu com grande susto que tudo no segundo andar cheirava a esperma. Inclusive a chave, que a síndica, Natasha, lhe entregou. Era velha, gorda, vestia-se feito cigana, mas ainda tentava seduzir desesperadamente. Ítalo não reclamou do puteiro, reconhecendo-a como a dona... Júlia só abriu a boca quando a porta do 203 fechou-se às suas costas.
-Bom, tudo menos morte... Você me levou muito a sério.
Adormeceram tentando calcular, pelos gritos e pancadas, o número de putas e o número de clientes diferentes. Ítalo ensaiou um pedido de desculpas, mas Júlia esboçou um sorriso que ele chamaria de pervertido, se não a conhecesse.
-Vida, irmãozinho. Por incrível que pareça!