domingo, 15 de fevereiro de 2009

Tão logo encontraram o fatídico ponto da rua Rio de Janeiro, Ítalo conteve um pedido de desculpas a Júlia. Indiscutivelmente, seu dinheiro era pouco, mas aquilo... era quase pão durismo. Ela não reclamou, apesar dele estar preparado pra se defender.

Cinco andares mambembes deixavam evidente que Belo Horizonte perguntava aos dois irmãos se eles estariam tão certos assim de suas aventuras. Ítalo agradeceu a si mesmo por ter trazido menos do mínimo.

-Quanto? - um olhar suado de voz sedenta voltou-se bruscamente para Júlia logo no primeiro lance de escadas; às suas vistas, ela era o ser mais limpo que ele via em dias.

Ítalo, reprimindo um palavrão que certamente sairia-se péssimo cartão de visitas, empurrou o bêbado. A música alta no segundo andar não era uma dica apetitosa para os dois... Um sorriso convidativo na porta do 201 o causou um arrepio misturado entre ensaio de tesão e asco.

Sim, eles tinham se mudado para um puteiro.

Ele percebeu com grande susto que tudo no segundo andar cheirava a esperma. Inclusive a chave, que a síndica, Natasha, lhe entregou. Era velha, gorda, vestia-se feito cigana, mas ainda tentava seduzir desesperadamente. Ítalo não reclamou do puteiro, reconhecendo-a como a dona... Júlia só abriu a boca quando a porta do 203 fechou-se às suas costas. 

-Bom, tudo menos morte... Você me levou muito a sério.

Adormeceram tentando calcular, pelos gritos e pancadas, o número de putas e o número de clientes diferentes. Ítalo ensaiou um pedido de desculpas, mas Júlia esboçou um sorriso que ele chamaria de pervertido, se não a conhecesse.

-Vida, irmãozinho. Por incrível que pareça!

Um comentário: